sábado, 28 de novembro de 2009

Cursiva X Bastão... E agora????


Para quem convive em escolas e com as séries iniciais, um assunto é bastante discutido entre educadores e pais: o estilo de letra a ser utilizado pelas crianças. Existem, na nossa língua, várias maneiras de registrar graficamente a mesma letra, cabe ao professor apresentar às crianças as letras do alfabeto, bem como suas variações. Primeiramente, apenas o alfabeto de letras maiúsculas, este procedimento não é apenas uma moda: é uma forma mais fácil, de se chegar ao aprendizado da leitura. Para dominar o mundo das letras, a criança passa pelo processo de alfabetização. Mas, e agora? O alfabeto foi aprendido, os valores sonoros de cada letra também. As palavras viraram histórias e eis que vem a pergunta: “Posso escrever com letra pegada?”. A criança sente necessidade de uma auto-afirmação, e a letra do tipo imprensa parece não mais atender ao seu desejo, pois ela a vê como letra de criança pequena. Como agir?É com as letras tipo imprensa que as crianças têm um maior contato desde cedo, em jornais, revistas, livros, televisão, embalagens, rótulos, no teclado do computador... O que resulta em uma elaboração de hipótese sobre a escrita muito precocemente. O traçado é simples, dando à criança liberdade ao ato de escrever, favorecendo a percepção das unidades e diminuindo o esforço motor. A letra cursiva exige da criança uma coordenação motora mais definida. A escrita cursiva tem duas questões: o traçado das letras tende a se modificar na escrita de cada um e a escrita cursiva produz ligaduras. Depois de unidas as letras, o aspecto gráfico pode mascarar os limites individuais das letras, gerando confusões entre os usuários. É mais importante que a criança compreenda e entenda a função e as características da escrita do que se preocupe com o tipo de letra a ser utilizado. “Em primeiro lugar, é preciso ensinar a escrever e, somente depois, deve-se preocupar com os requintes da escrita”. O mundo está escrito em letras de forma. O mesmo mundo onde a criança vive, cresce e aprende. Não espere dela um desenvolvimento pleno em cursivas quando tudo o que ela lê em torno dela é escrito com letras de forma. As letras de forma são naturais para ela, pois fazem parte do seu mundo. No primeiro momento em que a criança está no processo de aquisição da escrita, a letra em bastão é imprescindível, pois visa respeitar a sequência do desenvolvimento visual e motor da criança. Mas isso não quer dizer que o aluno não vai precisar conhecer e usar a letra cursiva. Mais tarde, quando a criança já tem o domínio da escrita alfabética deve-se trabalhar os traços da letra cursiva. Para entrar no mundo da escrita, é importante que as crianças interajam e conheçam a diversidade de letras e novas formas de linguagem existentes nesse universo. Essa é a verdadeira intenção do trabalho com o 1ºano. No trabalho com crianças, é preciso ter em mente que elas são seres individuais, únicos e diferentes sendo que esta diferença é que faz da educação algo maravilhoso onde a rotina não tem vez. O importante é compreender o que está escrito. Vamos, portanto, deixar que as crianças escrevam e que exercitem sua liberdade de registrar idéias. Todo o restante será conseqüência de um trabalho feito com amor. O maior privilégio de um professor é poder caminhar lado a lado com os seus alunos, observando seus progressos e auxiliando nos seus tropeços. Se for estabelecida uma comunicação entre professor e aluno, a finalidade da escrita estará cumprida. Professora Susane Moreira do Nascimento. 1ºano – Horto – 2009. Este artigo foi baseado em várias bibliografias sobre Alfabetização.

terça-feira, 18 de agosto de 2009







OS NÍVEIS DA ALFABETIZAÇÃO
PRIMEIRO NÍVEL → PRÉ-SILÁBICO I
NESSE NÍVEL O ALUNO PENSA QUE SE ESCREVE COM DESENHOS. AS LETRAS NÃO QUEREM DIZER NADA PARA ELE. A PROFESSORA PEDE QUE ELE escreva "BOLA", POR EXEMPLO, E ELE DESENHA UMA BOLA.
SEGUNDO NÍVEL → PRÉ-SILÁBICO II
O ALUNO JÁ SABE QUE NÃO SE ESCREVE COM DESENHOS. ELE JÁ USA LETRAS OU, SE NÃO CONHECE NENHUMA, USA ALGUM TIPO DE SINAL OU RABISCO QUE LEMBRE LETRAS. NESSE NÍVEL O ALUNO AINDA NEM DESCONFIA QUE AS LETRAS POSSAM TER QUALQUER RELAÇÃO COM OS SONS DA FALA. ELE SÓ SABE QUE SE ESCREVE COM SÍMBOLOS, MAS NÃO RELACIONA ESSES SÍMBOLOS COM A LÍNGUA ORAL. ACHA QUE COISAS GRANDES DEVEM TER NOMES COM MUITAS LETRAS E COISAS PEQUENAS DEVEM TER NOMES COM POUCAS LETRAS. ACREDITA QUE PARA QUE UMA ESCRITA POSSA SER LIDA DEVE TER PELO MENOS TRÊS SÍMBOLOS. CASO CONTRÁRIO, PARA ELE, “NÃO É PALAVRA, É PURA LETRA”.
TERCEIRO NÍVEL → SILÁBICO
O ALUNO DESCOBRIU QUE AS LETRAS REPRESENTAM OS SONS DA FALA, MAS PENSA QUE CADA LETRA É UMA SÍLABA ORAL. SE ALGUÉM LHE PERGUNTA QUANTAS LETRAS É PRECISO PARA ESCREVER “CABEÇA”, POR EXEMPLO, ELE REPETE A PALAVRA PARA SI MESMO, DEVAGAR, CONTANDO AS SÍLABAS ORAIS E RESPONDE: TRÊS, UMA PARA “CA”, UMA PARA “BE” E UMA PARA “ÇA”
QUARTO NÍVEL → ALFABÉTICO
O ALUNO COMPREENDEU COMO SE ESCREVE USANDO AS LETRAS DO ALFABETO. DESCOBRIU QUE CADA LETRA REPRESENTA UM SOM DA FALA E QUE É PRECISO JUNTÁ-LAS DE UM JEITO QUE FORMEM SÍLABAS DE PALAVRAS DE NOSSA LÍNGUA.

SÚPLICA DA CRIANÇA
Senhor!...
Disseram os homens que me queriam tanto, mas ao atingir-lhes a casa, não dialogaram comigo, segundo as minhas necessidades.
Quase todos me ofereceram um berço enfeitado, mas poucos me deram o coração.
Afirmam que devo procurar a felicidade, entretanto, não sei como fazer isso, se os vejo a quase todos sofrendo e rebelando-se por não aceitarem as disciplinas da vida.
Escuto-lhes as lições de paz, contudo, acompanho-lhes as rixas em vista de estarem sempre exigindo o maior quinhão de recursos da Terra.
Recomendam-me buscar a alegria, mas, muitas vezes, observo que está misturado de lágrimas o leite que me estendem.
Erguem palácios para mim, no entanto, entre as paredes dessas mansões coloridas e belas, renovam, a cada dia, reclamações e queixas que não sei compreender, nem registrar.
Explicam que preciso praticar o perdão e, ao mesmo tempo, muitos me mostram como exercitar a vingança.
Senhor!...
Que será de mim, neste grande mundo que construíste entre as estrelas, sempre adornado de flores e aquecido de sol, se os homens me abandonarem?
Fazei que eles reconheçam que dependo deles como o fruto depende da árvore. E, tanto quanto seja possível, dize-lhes, Senhor, que terei comigo apenas o que me derem e que posso ser, enquanto estiver aqui, unicamente o que eles são.


Alfabetização ou letramento? PROFª CRISTIANE-SÃO PAULO
Nos dias atuais é comum ouvir as expressões "alfabetização" e "letramento" no meio acadêmico para se referir ao processo de aprendizagem da língua escrita. Alfabetização no sentido de se aprender a técnica da escrita em si e letramento para se referir a aquisição de competências para fazer uso de práticas sociais de escrita, focalizando os aspectos sócio-culturais de uma sociedade. Num sentido mais amplo, letramento é um processo que vai muito além da aquisição das ferramentas da escrita, exigindo uma compreensão das práticas sociais de escrita no contexto do aluno. A ampliação do conceito nos traz um salto qualitativo na forma de aprender a "escrever", visto que a técnica não mais é colocada no centro da aprendizagem, mas o uso social da escrita dentro de contextos específicos. Ao permitir que o sujeito interprete, divirta-se, seduza, sistematize, confronte, induza, documente, informe, oriente-se, reivindique, e garanta a sua memória, o efetivo uso da escrita garante-lhe uma condição diferenciada na sua relação com o mundo, um estado não necessariamente conquistado por aquele que apenas domina o código (Soares, 1998).Obviamente, a técnica é necessária, porém o fundamental é que o sujeito compreenda que sua relação com o mundo escrito vai muito além da decifração de códigos. Seu vínculo afetivo com as práticas sociais de escrita colaboram para o efetivo exercício de sua individualidade dentro de uma sociedade. Enquanto a técnica de escrita pode levar um curto tempo para se aprender, o letramento se faz no decorrer de uma vida, visto que o ser humano aprende o tempo todo e as práticas sociais vão se diversificando. O letramento não é igual para todos, pois está vinculado a formação ética e estética do aluno. Sua competência de fazer uso de práticas sociais vai sendo ampliada na medida em que acumula experiências e constrói conhecimentos. Suas necessidades são colocadas em foco e todas as ferramentas que aprendeu durante sua vida são utilizadas para resolver situações de seu contexto.

ALFABETIZAÇÃO SEM REPROVAÇÃO
Uma criança, em sala de alfabetização, não deve nem pode ser reprovada.
Direi de outra maneira: a alfabetização não tem caráter avaliativo, com fim de promover o aluno de um nível de ensino para outro.
O presente artigo prova, através da legislação educacional, que a sala de alfabetização não é reconhecida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nem tem, por isso mesmo, caráter reprovativo.
Nenhum aluno, matriculado, em sala de alfabetização, em escolas públicas ou privadas, municipais, estaduais ou federais, pode ficar retido em sala de alfabetização, ou pode ser rotulado de “reprovado”, mesmo que a escola considere que criança não está alfabetizada em leitura.



Sem pressa de alfabetizar-
Pais e escola devem respeitar o ritmo das crianças durante o processo de aprendizagem.
De olho em um livro com letras fixadas por uma espiral, Lucca, Rafael e Paula escolhem os sinais gráficos que representam seus nomes. Eles pensam, folheiam as páginas e gastam segundos para formar uma palavra completa. Depois, estimulados pelas pedagogas da escola de Educação Infantil, participam de um jogo da forca, olham imagens e escrevem o nome de cada um dos bichos. As atividades fazem parte de exercícios de alfabetização, mas o curioso é que, aos cinco anos, eles já sabem muito e recém começaram o ano na pré-escola. Desde a mudança curricular, que aumentou o número de anos (de oito para nove) do Ensino Fundamental e antecipou para os seis anos a entrada na 1ª série, histórias semelhantes são cada vez mais comuns nas salas de aulas dos pequenos. Mas será que vale a pena ensiná-los a ler e escrever antes do ingresso no Ensino Fundamental? Na verdade, não há comprovação científica de que a alfabetização precoce deixe a criança mais inteligente que os colegas. O que pode existir é um interesse maior delas pelo mundo das letras quando têm contato desde cedo com recursos ligados às diferentes formas de expressão. – Os pais das crianças de zero a seis anos associam escola à alfabetização. Acham que elas vão à escola apenas para ler e escrever, por isso é colocado um peso grande na leitura e escrita com palavras. Isso é um equívoco – diz o pedagogo Gabriel de Andrade Junqueira Filho, doutor em Educação e professor da Faculdade de Educação da UFRGS. Para ele, alfabetizar é um processo que começa desde o nascimento do bebê e se dá a partir da interação com múltiplas e diferentes linguagens, como, por exemplo, brincar, cantar, desenhar, ouvir e criar histórias. Por meio delas, a criança vai descobrindo o mundo, inclusive o das palavras, interessando-se por elas e compreendendo a importância de se alfabetizar. Para evitar fazer do processo de aprendizagem uma lição desagradável, é preciso atenção e sensibilidade dos pais e da escola, pois cada criança tem uma relação específica com a escrita, que precisa ser conhecida, explorada e encaminhada. Portanto, senhores pais, nada de pressa e atropelos com as crianças! É preciso calma e saber sempre que os pequenos, assim como os adultos, organizam e investem suas energias sempre que algo lhes faz sentido. Com o aprendizado da leitura e da escrita isso funciona da mesma forma.Passo a passo: Por mais que os pais queiram incentivar os filhos em idade escolar a escrever, cada criança tem um tempo, que depende das etapas do desenvolvimento motor e psicológico e do convencimento de cada um sobre o sentido desse aprendizado. Assim, eles se mostrarão preparados quando tiverem interesse e curiosidade pelo alfabeto, por histórias e por tudo aquilo que se representa de forma escrita. Para chegar nesta fase, os pequenos precisam e podem ser estimulados desde o berçário. Questão de hábito:Ler, escrever recados, folhear livros e contar histórias para os filhos são os primeiros exemplos e incentivos que pais e mães podem dar às crianças se quiserem vê-las interessadas em conhecer o mundo das letras. Durante o processo de aprendizagem, os pequenos costumam imitar os atos dos pais. Portanto, se a família tem o costume de estudar, ler e escrever, provavelmente os filhos desejarão imitá-la.

Professora Susane Moreira do Nascimento.
1º ano – Horto – 2009.
Este artigo é do jornal Zero Hora – 16 de março de 2009 – nº 15909.